quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Inacabado


Ele entrou e não disse nada, apenas a fitou demoradamente. Para que aquele silêncio constrangedor fosse quebrado ela disse: __A que veio? Após uma pausa ele respondeu: __Precisava vê-la.
__Pronto já viu, volte para sua casa agora.
__Não posso ficar mais?
__Não, quando quis que ficasse você foi embora. Pois então vá de novo, não quero que demores aqui.
__Você está à espera de alguém?
__Te interessa?Não tenho mais nada contigo.
__Não quero te imaginar com outra pessoa.
__Mas pode imaginar, porque existe outra pessoa. Ela me dá o devido valor, e me ama como você nunca amou.
__Vocês já dormiram juntos?
__Todas as noites desde que você foi embora, noites de paixão.

Ele andava de um lado para o outro imaginando eles se amando no sofá, no chão, em cima da poltrona que era de sua mãe. O inferno mental foi tomando conta de seu corpo. E ela?Ela somente ria, não era uma gargalhada, era um sorriso de deboche destes que ferem.

__Vamos! Já lhe mandei embora! Melhor ir, ele está chegando e não vai gostar nada nada de lhe ver aqui. Ele é muito ciumento e isso me deixa totalmente acesa. Na verdade não lembro de me sentir assim antes.
__Não posso nem me sentar? Gostaria de conversar sobre algumas coisas.
__Que coisas, nada que venha de você pode me interessar neste momento.

Ele rejeitado apenas se levantou e foi embora. Sem dizer nenhuma palavra, apenas olhou para trás e nem esboçou sorriso algum. Ela por sua vez ficou com a dor de deixa-lo ir mais uma vez. Pensou “eu deveria ter feito diferente? Não sou orgulhosa demais.” Entrou, requentou seu pão com ovo e comeu mais uma vez sozinha. Orgulhosa, mas sozinha.


OBS: Ainda não acabei este conto é somente um esboço. Inspirado na música Olhos nos Olhos de Chico Buarque.

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