Ela o esperou, sempre sentada no mesmo lugar, em um
banco que ficava em frente à casa de Rodrigo. Como companhia Marcela tinha
apenas o cheiro das damas-da-noite que a rodeavam. A casa estava abandonada, na
frente somente folhas secas e jornais esquecidos. Mas ela persistia, tinha a
certeza que um dia o veria sair por aquela porta e voltaria para seus braços.
Rodrigo, por sua vez, era um homem inseguro e não conseguia deixar o conforto
de seu casulo para acompanhá-la, era perigoso demais o sentimento que tinha por
ela. Passaram-se alguns anos e Marcela chegou à conclusão que aquela espera fora uma ilusão criada
por si mesma. Levantou-se sem lágrimas, pegou os jornais esquecidos, varreu as folhas secas
e se foi. Pouco depois, em um impulso Rodrigo resgatou sua coragem de onde não sabia que existia e abriu a porta. Não a viu, sentiu somente o
perfume das damas-da-noite que a rodeavam e teve a certeza da presença, mesmo que abstrata, do sorriso de
Marcela.
sexta-feira, 29 de julho de 2016
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